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Memória do IB
De uma sala ao lado da reitoria, em 1963, a um complexo de 13 prédios. A história do Instituto contada a partir do livro dos seus 50 anos.
Seis fases de uma mesma história
A história do IB se confunde com a da própria UnB, com crises, recomeços e muitas colheitas.
1962 a 1965
Os primeiros passos
Em 1962, Darcy Ribeiro reuniu cientistas para conceber a UnB, que teria os institutos como base. O Instituto Central de Biociências foi criado pela Resolução nº 1 do Conselho Diretor, de 6 de janeiro de 1962, sob a coordenação do fisiologista Maurício Rocha e Silva.
A biologia começou de fato em janeiro de 1963, com os geneticistas de Antônio Rodrigues Cordeiro instalados numa sala ao lado do reitor Anísio Teixeira. A Psicologia, que depois virou instituto próprio, também nasceu aqui.
| 1963 | Criado o Departamento de Genética, o primeiro da biologia na UnB. |
|---|---|
| 1963 | João Murça Pires funda o Herbário da UnB. |
| 1964 | Os laboratórios vão para o galpão Serviços Gerais 11, enquanto o Minhocão era construído. |
| 1965 | A demissão de 16 professores leva 223 colegas a se demitirem em solidariedade, 27 deles do Instituto. |
1966 a 1971
A recomposição
Depois da crise de 1965 e da invasão do campus em 1968, o malacologista Wladimir Lobato Paraense aceitou reorganizar o Instituto. Com Luiz Fernando Labouriau e Manuel Mateus Ventura, dividiu-o em quatro departamentos: Biologia Animal, Biologia Celular, Biologia Vegetal e Psicologia.
| 1968 | Lobato Paraense assume a coordenação; em 1970 o cargo passa a se chamar diretor. |
|---|---|
| 1969 | Formam-se os três primeiros biólogos: José Gilberto Aucélio, Márcio Antônio Cattini e Vera Lúcia Pimenta de Moura. |
| 1971 | Chegam George e Liene Eiten, botânicos que mudariam o estudo do Cerrado. |
“Se não houvesse condições adequadas para a busca do conhecimento, a minha capacidade individual não resultaria em nada.”
Waldenor Barbosa da Cruz, que chegou ao IB em 1968, ao receber o título de professor emérito
1972 a 1988
A consolidação
Quando José Carmine Dianese assumiu a direção, em 1972, o IB tinha formado só 14 biólogos. Ele montou o reconhecimento dos cursos pelo MEC e trouxe grupos para implantar a Fitopatologia e a Ecologia. Entre 1972 e 1985 formaram-se 536 biólogos, mesmo sob a ditadura e a nova invasão do campus, em 1977.
| 1972 | Mestrado em Biologia Molecular, a primeira pós-graduação do IB e pioneira no país. |
|---|---|
| 1976 | Mestrados em Ecologia e em Fitopatologia; curso de ecologia para cerca de 4.000 professores do DF. |
| 1985 | Primeira proteína sequenciada no Brasil; nasce o PET-Bio, um dos primeiros da UnB. |
| 1987 | Centro Brasileiro de Sequenciamento de Proteínas e Laboratório de Genética Humana. |
Departamento de Botânica no Minhocão, entre 1991 e 1999. Fonte: livro dos 50 anos.
1989 a 1999
Sete departamentos
A Resolução do Consuni nº 15, de 15 de agosto de 1989, criou os departamentos de Botânica, Ciências Fisiológicas, Ecologia, Fitopatologia e Genética e Morfologia, manteve a Biologia Celular e extinguiu Biologia Animal e Biologia Vegetal. A Zoologia veio em 1993. Na década, 84% dos 118 professores eram doutores.
| 1991 | Doutorados em Biologia Molecular e em Fitopatologia; o de Ecologia vem em 1993. |
|---|---|
| 1993 | Mestrado em Botânica, o primeiro do Centro-Oeste; começa a licenciatura noturna. |
| 1997 | Pós-graduação em Biologia Animal, a primeira a unir três departamentos; nasce a nanobiotecnologia no IB. |
| 1999 | Núcleo de Ilustração Científica, pioneiro no Brasil. |
“Reorganizar a estrutura do saber na UnB, ao mesmo tempo em que libera a criatividade de cada área do conhecimento.”
Cristovam Buarque, reitor, sobre a reestruturação do IB em 1989
2000 a 2013
Novo século, novo endereço
O IB planejou e construiu seu complexo de 13 prédios e, entre 2009 e 2010, deixou o Minhocão. Com o Reuni, abriu vagas, criou a graduação em Biotecnologia e chegou a nove programas de pós-graduação.
| 2003 | Criado o Núcleo de Educação Científica (NECBio). |
|---|---|
| 2005 | Centro de Nanociência e Nanobiotecnologia; o IB sedia a primeira reunião da Society for Conservation Biology na América do Sul. |
| 2009 | Licenciatura a distância pela UAB, com polos em Ceilândia e Itapetininga. |
| 2011 | Começa o Bacharelado em Biotecnologia, com 40 alunos. |
| 2012–13 | Novos programas: Biologia Microbiana, Nanociência e Nanobiotecnologia, Zoologia e Biotecnologia e Biodiversidade. |
Um dos primeiros blocos do novo IB em construção. Acervo do IB.
Fotos da obra
Do terreno vazio aos 13 prédios
A terraplanagem começou no fim da gestão 2002–2006, e o complexo foi erguido nos anos seguintes. Entre 2009 e 2010, o IB deixou o Minhocão. Fotos do acervo do IB.
O terreno na terraplanagem, com as ferragens das primeiras fundações.
Visita ao terreno durante a terraplanagem.
Os pilares das fundações.
A estrutura de concreto de um dos blocos.
Obra em andamento, com caminhão de concreto e betoneira.
Visita ao interior de um bloco em construção.
Um corredor interno, ainda em obra.
Um bloco em construção ao lado de uma grande árvore.
Os blocos tomando forma.
A fachada do IB na contracapa do livro dos 50 anos (2013).
De 2014 até hoje
A história continua
O livro dos 50 anos termina em 2013. Desde então, o IB foi dirigido por Andréa Queiroz Maranhão (2014–2018), Jaime Martins de Santana (2018–2023) e Luiz Eduardo Bassay Blum (2023–2026). Hoje a direção é da professora Mercedes Maria da Cunha Bustamante, com a professora Márcia Renata Mortari na vice-direção.
Esta parte da história ainda está sendo escrita. Fotos, fatos e lembranças desses anos podem ser enviados à Direção pelo e-mail ibd@unb.br.
Cinquenta anos em números
Situação no fim de 2013, segundo o livro.
2.638
biólogos formados no bacharelado e na licenciatura, de 1969 a 2013
146
docentes do quadro, 20 deles titulares
65
técnicos-administrativos
9
programas de pós-graduação, todos com doutorado
920
estudantes de graduação nos cursos do IB
4.000
alunos de outros 17 cursos atendidos por ano
Biólogos formados por ano (bacharelado e licenciatura), de 1969 a 2012. A alta a partir de 1999 acompanha a licenciatura noturna. Passe o mouse numa barra para ver o número. Fonte: tabela 3 do livro.
Ver os números em tabela
| Ano | Formados |
|---|---|
| 1969 | 3 |
| 1970 | 8 |
| 1971 | 3 |
| 1972 | 22 |
| 1973 | 29 |
| 1974 | 12 |
| 1975 | 24 |
| 1976 | 41 |
| 1977 | 44 |
| 1978 | 50 |
| 1979 | 40 |
| 1980 | 52 |
| 1981 | 46 |
| 1982 | 48 |
| 1983 | 49 |
| 1984 | 45 |
| 1985 | 34 |
| 1986 | 23 |
| 1987 | 26 |
| 1988 | 19 |
| 1989 | 30 |
| 1990 | 25 |
| 1991 | 33 |
| 1992 | 44 |
| 1993 | 31 |
| 1994 | 48 |
| 1995 | 42 |
| 1996 | 51 |
| 1997 | 49 |
| 1998 | 56 |
| 1999 | 112 |
| 2000 | 90 |
| 2001 | 81 |
| 2002 | 114 |
| 2003 | 128 |
| 2004 | 80 |
| 2005 | 88 |
| 2006 | 103 |
| 2007 | 109 |
| 2008 | 165 |
| 2009 | 80 |
| 2010 | 161 |
| 2011 | 134 |
| 2012 | 95 |
No 1º semestre de 2013 foram mais 71. A licenciatura a distância formou 156 professores em 2011 e 2012.
De onde vem cada departamento
Os sete departamentos atuais existem desde 1989, mas suas raízes são mais antigas.
Raízes em 1968
Biologia Celular
O maior departamento do IB. Berço do Mestrado em Biologia Molecular (1972), da primeira proteína sequenciada no país (1985) e da insulina humana recombinante feita com a Biobrás.
Raízes em 1963
Botânica
Começou como setor, com o herbário de João Murça Pires. Renasceu em 1989 com oito professores e criou o primeiro mestrado (1993) e o primeiro doutorado (2007) em Botânica do Centro-Oeste.
Raízes em 1966
Ciências Fisiológicas
Nasceu do Laboratório do Sistema Nervoso de Bráulio Magalhães Castro. Desde 1985 estuda venenos e secreções de anfíbios; hoje reúne toxinologia, neurociências, anatomia comparada e reprodução.
Raízes em 1976
Ecologia
O mestrado de 1976 foi um dos primeiros do Brasil e tirou conceito A na Capes em 1984 e 1986. Pedido desde 1979, o departamento saiu em 1989, com 22 professores. Referência em fogo e ciclos do Cerrado.
Raízes em 1967
Fitopatologia
Começou com Armando Takatsu e cresceu com José Carmine Dianese e colegas vindos da Califórnia. Lançou a revista Fitopatologia Brasileira (1976) e já descreveu mais de 120 espécies novas de fungos do Cerrado.
Raízes em 1963
Genética e Morfologia
Herdeiro do primeiro departamento da UnB. Atende pacientes de genética humana no HUB desde 1987 e deu início, em 1997, à nanobiotecnologia na universidade.
Raízes em 1968
Zoologia
Laboratório no Minhocão desde 1968, departamento desde 1993. Guarda coleções como a herpetológica, a maior do Centro-Oeste, e a de cupins, a segunda da América Latina.
Desde 2003
Educação Científica (NECBio)
Cuida da formação de professores na licenciatura, que até 1993 seguia o modelo de três anos de bacharelado mais um de disciplinas pedagógicas.
Quem construiu o IB
Alguns nomes entre centenas de professores, técnicos e estudantes.
Maurício Rocha e Silva
Primeiro coordenador do Instituto (1962 a 1965). Presidiu a SBPC de 1965 a 1967.
Antônio Rodrigues Cordeiro
Fundou em 1963 o Departamento de Genética, o primeiro da biologia na UnB.
João Murça Pires
Botânico amazônico, fundou o Herbário UB em 1963 e foi seu primeiro curador.
Carolina Martuscelli Bori
Coordenou a Psicologia, então parte do Instituto, e ajudou a criar o método de ensino personalizado de Fred Keller.
Wladimir Lobato Paraense
Malacologista de renome mundial. Reorganizou o Instituto a partir de 1968 e foi seu primeiro diretor.
Manuel Mateus Ventura
Biofísico. Liderou a criação do Mestrado em Biologia Molecular e o sequenciamento da primeira proteína no Brasil.
Waldenor Barbosa da Cruz
Bioquímico. Liderou a produção pioneira de hormônio de crescimento e dirigiu o IB de 1990 a 1994.
George Eiten
Botânico. Seu artigo de 1972 sobre a vegetação do Cerrado ainda é referência obrigatória.
Linda Styer Caldas
Montou o primeiro laboratório de cultura de tecidos vegetais do Centro-Oeste e ajudou a idealizar a Rede de Sementes do Cerrado.
Coordenadores e diretores desde 1962
| Período | Coordenador ou diretor | Vice |
|---|---|---|
| 1962–1965 | Maurício Oscar da Rocha e Silva | — |
| 1966–1967 | Friedrich Gustav Brieger | — |
| 1968–1972 | Wladimir Lobato Paraense | Warton Monteiro; José Maria Gonçalves de Almeida Júnior |
| 1972–1978 | José Carmine Dianese | Ruy de Araújo Caldas; Carlos Alberto Vieira; Jeferson Bastos Aragão |
| 1978–1980 | Cláudio Lúcio Costa | Jeferson Bastos Aragão; Thereza Pontual de Lemos Mettel |
| 1981–1984 | Thereza Pontual de Lemos Mettel (Felizardo Penalva da Silva em 1983) | — |
| 1985 | Cláudio Lúcio Costa | Jeferson Bastos Aragão |
| 1986–1990 | Iara Lúcia Gomes Brasileiro | Paulo do Espírito Santo Saraiva |
| 1990–1994 | Waldenor Barbosa da Cruz | Helena Luna Ferreira |
| 1994–1998 | Mundayatan Haridasan | Linda Styer Caldas |
| 1998–2002 | Maria Sueli Soares Felipe | Roberto Brandão Cavalcanti |
| 2002–2006 | Ivone Rezende Diniz | Sônia Nair Báo |
| 2006–2012 | Sônia Nair Báo | Jader Marinho-Filho |
| 2012–2014 | Jader Marinho-Filho | Andréa Queiroz Maranhão |
| 2014–2018 | Andréa Queiroz Maranhão | — |
| 2018–2023 | Jaime Martins de Santana | — |
| 2023–2026 | Luiz Eduardo Bassay Blum | — |
| Atual | Mercedes Maria da Cunha Bustamante | Márcia Renata Mortari |
Professores eméritos indicados pelo IB, até 2013
- Ezechias Paulo HeringerBotânica, 1985
- Manuel Mateus VenturaBiologia Celular, 1992
- Luiz Fernando Gouvêa LabouriauCiências Fisiológicas, 1995
- Elliot Watanabe KitajimaBiologia Celular e Fitopatologia, 2001
- Iris FerrariGenética e Morfologia, 2002
- George EitenBotânica, 2004
- Therezinha Isaia PavianiBotânica, 2005
- James Alexander RatterEcologia, 2005 (honoris causa)
- Cláudio Lúcio CostaFitopatologia, 2006
- Francisco Pereira CupertinoFitopatologia, 2006
- Armando TakatsuFitopatologia, 2006
- Lauro MorhyBiologia Celular, 2006
- Waldenor Barbosa da CruzBiologia Celular, 2006
- Linda Styer CaldasBotânica, 2006
- Nagib Mohammed Abdalla NassarGenética e Morfologia, 2010
- Isaac RoitmanBiologia Celular, 2012
- José Carmine DianeseFitopatologia, 2012
- Kumiko MizutaBiologia Celular, 2013
- Carlos Roberto FélixBiologia Celular, 2013
Técnicos dos primeiros anos
O livro registra mais de cem técnicos-administrativos. Entre os primeiros, de 1963, estão Adalgiso dos Santos Ramos, técnico até 2005, o motorista Manoel César de Macedo e o fotógrafo Nestor Bezerra de Lima. Muitos terceirizados também estão no IB há mais de dez anos e são essenciais ao seu funcionamento.
Encontros que o IB trouxe a Brasília
Congressos organizados por professores do Instituto colocaram a UnB no mapa da biologia.
- IX Congresso Brasileiro de Fitopatologia1976, com o lançamento da revista Fitopatologia Brasileira
- 3º Congresso de Ecologia do Brasil1996, mais de 1.500 inscritos e 974 trabalhos
- XI International Bat Research Conference1998, em Pirenópolis, com participantes de 30 países
- 51º Congresso Nacional de Botânica2000, mais de duas mil pessoas
- XXV Congresso Brasileiro de Zoologia2004, cerca de 2.000 trabalhos
- 19ª reunião da Society for Conservation Biology2005, a primeira na América do Sul, com gente de mais de 70 países
Público em evento no auditório do IB. Acervo do IB.
O livro dos 50 anos
Instituto de Ciências Biológicas 1963–2013: Fragmentos de Memórias reúne, em 14 capítulos, a história do Instituto, de cada departamento, da licenciatura, da educação a distância e de três programas de pós-graduação, escritos pelos próprios professores.
O livro é dedicado à memória de Cláudia Renata Fernandes Martins, Cézar Martins de Sá, George Eiten, Linda Styer Caldas, Maristella de Oliveira Azevedo e Waldenor Barbosa da Cruz.
“A memorialística sempre se apresenta incompleta e provisória.”
Ivone Rezende Diniz, na apresentação
